terça-feira, 7 de agosto de 2012

Noite

É engraçado quando me ponho a pensar em todas as coisas que ficaram para trás quando me despedi da minha adolescência e da menina que não queria crescer. Uma das coisas mais marcantes de que me lembro tem a ver com a noite e com os tempos antes de entrar para a Universidade, quando trazia o Toy à rua e me podia perder sob o manto da noite. Lembro-me que assim que descia as escadas, os meus pensamentos começavam a divagar e perdia-me em mundos de novas músicas, de expectativas, de mundos imaginados que eu conseguia passar para palavras. Normalmente, com muita pena minha, estas pérolas do subconsciente, fluindo sem dificuldade, perdiam-se depois porque não conseguia lembrar-me de tudo aquilo. E só consegui ter um gravador bastante mais  tarde, apesar de de ter sido algo por que suspirei toda a minha adolescência. Podia dizer que aquela noite, para mim, era reconfortante. E até anos depois de ter saído de casa, voltar àquela noite trazia-me de volta a pessoa que eu era e os mundos que existiam dentro de mim. Infelizmente o Toy já morreu, a minha infância e adolescência também, atrevo-me a dizer que até a pessoa que eu era morreu. E é com pena que digo que a noite não me tem trazido música nem grandes esperanças no futuro. Faço figas para que possa voltar a encontrar-me e a encontrar a minha luz, que me guie sempre em todas as noites e que dê um pouco mais de luz a este mundo.